"A parte mais bonita do seu corpo é para onde ele está indo, e lembre-se de que a solidão continua sendo tempo vivido com o mundo."
Ocean Vuong
"A parte mais bonita do seu corpo é para onde ele está indo, e lembre-se de que a solidão continua sendo tempo vivido com o mundo."
Ocean Vuong
Sozinho e com os pés desesperados de alegria, porque no fim é sempre carnaval.
Ando por aí com vários espinhos fincados nas partes mais sensíveis do coração.
Um cuidado com café depois das cinco e copadas geladas para disfarce.
Um sono descomunal durante a tarde e o despertar assim que travesseiro.
Um sonho que demora o suficiente para atuar mil vidas.
Um atropelo libidinoso que me desfoca.
Um filho que não terei com um quase amei.
Um desejo bobo de levantar troféu bonito.
Um vulto demoníaco captado sem lentes.
Um vento frio forçado para me conchear.
Um fúnebre pedaço de alguém que sobrou.
Um verme preto em minhas veias querendo entranhar.
Um susto doce e tenebroso que virou banquete de ácaro no colchão.
Um mistério que prende.
Não dá para olhar sem sentir o choque espinhal que vem da retina.
Rotina idiota de ver, fingir o possível negando a porra dos caninos.
Na frieza cansada dos meus pensamentos me deito neste chão sujo. Doar e fazer escolhas.
Não tenho casa, o que seria ter uma casa?
Auto sabotagem que vai me levando para lugares trevosos, famintos por um doce pensamento mamífero tão difícil de conceber.
À mesa a gente escolhe os crucificados e se afoga no próprio intestino, quanta bobagem em boca cheia.
É no silêncio que vou montando minha aptidão em me desenrolar na vida.
Amo, mas quero distância.
Monologo mental trava quando a página em branco aparece.
Penso no meu contraste. Onde termino e começo para o outro.
Sabotagem em contínuas linguagens, desafetos, silêncios,
apatia...
O que sobra da vida quando nus?